To me guardando pra quando o carnaval chegar

To me guardando pra quando o carnaval chegar

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010



. Em mil mundos, as cascas vazias por eles abandonadas contorceram-se nos estertores da morte, esfarelando-se e desfazendo-se em ferrugem. Haviam-se tornado os senhores da Galáxia, insensíveis ao tempo. Podiam vagar a seu bel-prazer por entre as estrelas, penetrando, qual neblina, em todos os interstícios do espaço. Entretanto, apesar dos seus poderes quase divinos, não haviam esquecido completamente a sua origem, no lodo quente de um oceano desaparecido".
Arthur C. Clarke (autor de 2001 uma odisséia no espaço)

“Eu tentei criar uma experiência visual, que se desviasse do campo das palavras e penetrasse diretamente no subconsciente com um teor emocional e filosófico... Projetei o filme para ser uma experiência subjetiva intensa, que atinja o espectador num nível profundo de consciência, exatamente como a música faz... Você está livre para especular como quiser sobre o sentido filosófico e alegórico do filme. “
Stanley Kubrick

Sua atualidade, sua ficção e seu deslumbramento se encontram na história, e não em efeitos e ferozes cenas de ação, como a grande maioria dos filmes procuram focar seu interesse. 2001 é feito para neurônios, não para os testículos – e não pense que esta é uma frase preconceituosa, pois 2001 é isso mesmo, um desafio a sua mente. É um filme de questionamentos, não de respostas.
Como não poderia deixar de ser, 2001: Uma Odisséia no Espaço é um filme tipicamente Kubrickiano não apenas na história, mas também na forma. Diversos pequenos detalhes enriquecem a obra, como a referência escondida à IBM, que iria patrocinar o filme, mas tirou a cota e deixou Kubrick bastante irritado. Como vingança, colocou as iniciais no computador que se torna assassino como HAL, que são, exatamente, as letras anteriores da sigla IBM.

Então, como disseram muitos, o filme não é pra entender é pra se perguntar. Mas passa a idéia, muito refinada, de uma visão crítica sobre o desenvolvimento da inteligência e da sua utilização e onde tudo isso vai parar. Eu, particularmente, adorei a parte estética e sonora do filme por começar com also spracht zarathustra (música baseada na transformação do homem em super-homem, segundo Nietzsche) o que já é muito especial. Não é a toa que é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos.
O que quer dizer isso e aquilo é para cada um se perguntar e tentar suas próprias respostas .
O filme expressa de uma maneira delicadamente refinada a trajetória da complexidade do que pode gerar o conhecimento, entretanto sempre demonstrando que acima de tudo o homem pode permanecer, a despeito de toda a evolução tecnologica, um ser humano que nasce, faz e acontece, envelhece e, de uma certa forma, nunca morre.

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